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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

OS ULTIMOS DIAS DE BON SCOTT


               
  Aos 33 anos de idade, Bon tinha passado pouco mais de cinco deles ao lado do AC/DC, o suficiente para colocar a banda, e claro a si próprio, no hall dos imortais do rock.
  Depois de passar o Natal de 1979, na Austrália, Bon Scott estava de volta para Londres no ano novo, onde começou a trabalhar com Angus e Malcolm nas composições para o próximo disco do grupo, a ser lançado naquele ano. Nessa época o vocalista estava morando em Londres com sua namorada japonesa, Anna Baba, mas mesmo assim não deixava de flertar ocasionalmente com sua antiga namorada e traficante, Margaret “Silver” Smith, uma loira famosa na cena rocker de Londres por descolar heroína da boa para caras como Ronnie Wood, Keith Richards, Jimmy Page, etc.
  Em 1977, Bon Scott chamou seus companheiros de banda e equipe de canto e confessou a eles: “Uma cigana que joga tarô me disse que por volta de 1980 eu estarei morto.” Todos deram gargalhadas e naquela altura, para Bon foi só uma desculpa sem efetiva importância para ele continuar vivendo sua vida no limite... Malcolm, porém se lembra muito bem do que a cigana disse a Bon: “Ela disse que ele iria conhecer uma loira e ficar com ela firme por um tempo, depois iria se separar e daí ficar com uma garota oriental de cabelos negros. Depois disso sua vida seria sensivelmente encurtada...”
  Voltando a janeiro de 1980, no dia 27 o AC/DC se apresentou em Southampton, finalizando assim a turnê de promoção do álbum Highway to Hell, o primeiro grande sucesso de vendas do grupo no mundo todo, inclusive na America. No começo do mês de fevereiro, Bon apareceu em um dos três shows do UFO no Hammersmith Odeon, para bater um papo, tomar umas e rever os amigos Pete Way e Phil Mogg. O que era para ser um mero e casual “encontro de backstage” acabou se transformando numa festa da pesada, e para o pessoal do UFO, nessa altura do campeonato isso significava uma festa regada a heroína. E, teoricamente, Bon também teria participado dessa festa naquela noite.
  Nos dias seguintes, mesmo com o término da tour, o AC/DC ainda tinha algumas obrigações contratuais envolvendo a promoção de seu disco mais recente em programas de TV. A primeira delas foi uma aparição do famoso Top of the Pops, onde tocaram “Touch too much”. A segunda aconteceu em Madrid, na Espanha, onde participaram do programa Aplauso tocando três musicas: “Beating Around the Bush”, “Girls got Rhythm” e “Highway to Hell”. Na manhã seguinte a essa gravação, a banda ainda participou de uma entrevista coletiva à imprensa espanhola.
  No dia 13 de fevereiro, Bon estava feliz e de volta a Londres. Naquele dia, de folga, passou num estúdio para dar um alô aos amigos franceses do Trust, que estavam gravando seu novo álbum, Repression. Bon estava inclusive dando uma força aos amigos e traduzindo algumas letras da banda para o inglês, visando um futuro lançamento na Inglaterra. No estúdio, a banda convidou Bon para gravar com eles uma nova versão de “Ride On”, que ele fez prontamente e com muito prazer. Essa seria sua ultima gravação...
  No dia seguinte, chegava da América a noticia: Highway to Hell havia ultrapassado um milhão de cópias vendidas! Segundo a namorada de Bon, Anna, nessa época ele estava bebendo até um pouco mais que o de costume e já acordava de manhã com uma garrafa de whisky na mão, e seu passatempo favorito era passar horas bebendo e ouvindo álbuns como Snowhand de Eric Clapton, Imagine de John Lennon, oprimeiro álbum dos Pretenders, que tinha saído recentemente, e Tchaikovsky. Nessa época também fazia constantes visitas a um medico, pois depois de anos de abusos, estava tendo problemas com seu fígado.
  Três dias depois, 17 de fevereiro, um domingo, Bon estava tomando umas cervejas num pub e lá voltou a se encontrar com Phil Mogg e Pete Way do UFO. NO dia seguinte, Bon ligou para Silver Smith, convidando-a para alguns drinks mais a noite. Silver tinha compromissos e negou a proposta, mas disse que seu companheiro de quarto, um cara chamado Alistair Kinnear poderia sair com Bon e levá-lo num show de uma banda amadora no bar Music Machine, em Camden Town, bairro boêmio de Londres.
  Depois de muitas rodadas no bar, a dupla se mandou para Ashby Court, onde Bon vivia naquela época. No caminho, Bon literalmente apagou no banco de trás do veiculo. Kinnear não deu muita bola e seguiu adiante. Quando chegou na casa do vocalista do AC/DC, Kinnear tentou chamar Bon e levá-lo para dentro, porém não conseguiu acordar seu companheiro, que estava num avançado estado de embriaguez.
Kinnear desistiu da idéia e seguiu dirigindo para seu próprio apartamento. Chegando lá, nova tentativa frustrada de tirar o amigo bêbado do veiculo. O jeito foi deixar Bon dormindo no banco de trás do automóvel, um Renault 5.
  Quando Kinnear voltou no começo da noite do dia seguinte para ver seu amigo, já era tarde de demais. Bon estava morto, praticamente congelado dentro do pequeno automóvel. O sujeito ainda levou o vocalista às pressas para o Kings College Hospital, de Londres, onde o musico já chegou sem vida nas dependências do pronto socorro.
O atestado de óbito informou que Bon Scott havia falecido em decorrência de envenenamento alcoólico agudo e “death by misadventure” (“morte por desventura”, ou “por desgraça”, ou “falta de sorte”).
  Nos jornais da época foi também noticiado que o musico teria se sufocado com o próprio vômito e que a baixa temperatura da madrugada e suas constantes crises de asma colaboraram para a tragédia daquela fria manhã de 19 de fevereiro de 1980, um dos dias mais tristes do Rock ‘n’ Roll.

De: Revista Roadie Crew.

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